19 de fevereiro de 2011
FRESCOR



Ai, a vida me chamou...
Pediu licença pra tantos mais.
Mais pitangas, mais mar.
Mais eu, mais aqueles que são de mim.
Mais poiesis, mais cheiros.
Menos tudo que não me faz mais eco.
Ecoou, ecoou...
Virou lembrar.

A vida me deu fome.

A vida me deu vontade.

A vida me chamou. Quem sou eu pra não seguir...

4 de fevereiro de 2011
surpresa de Lily

"H.,


Eu não sou um exemplo de destreza, mas para isso há que se ter coragem: não evitar, nem ter medo, das fortes emoções e, você há de concordar: desse mal não padeço.
O sentimento de continuidade, que para a maior parte das pessoas se dá na mais serena das possibilidades, para mim acontece na mais inquieta das surpresas: as emoções puras, como vêem ao mundo, cruas e nuas. [...]
Continuar para mim não corresponde a dizer: "hoje está como ontem", mas digo: "Hoje há outra chance de me surpreender..." Senão a continuidade não vem. Tudo é macro, tudo é vida, seja a mais exuberante alegria ou, a mais desoladora tristeza.
Mas você me disse naquela quinta e de tão forte, eu decorei: "Ah, menina das intensidades... A vida não é só explosão. Há que se aquietar um dia... Porque te digo: o sorriso vai embora, a lágrima também, mas você fica. E você se faz companhia para todo sempre... O que há em você que te suporta? O que há em você que te basta?". Ai, sua sinceridade me consumiu. Me revirou. Me conheceu.
E daí, H., quero retribuir tamanha generosidade, abrindo o jogo com você: eu me alimentei de surpresas por toda a vida, sem nunca sentir fome, mas você chegou e eu fui assaltada pela maior delas. Esta surpresa me roubou foi a alma: eu quis ser somente feliz para sempre. Quis guardar o meu próprio tesouro num outro coração. O teu.


Carinho,
Lily."