22 de setembro de 2010
FOI ENTÃO QUE ENTENDEU

Foi então que entendeu:
Ver suas covas e arrancar-lhe um sorriso, daqueles sinceros e difíceis de conseguir, foi por muito tempo a sua meta de vida.
Como lhe era importante aquele sorriso, céus!
Não que lhe parecesse um esforço colher os sorrisos dela, era natural. Ela simplesmente sorria e, fazê-la sorrir era mais especial do que quando qualquer outra pessoa sorria.
Era diferente, parece que as coisas com ela aconteciam em tempos diferentes e surreais, assim, outros tempos que não os da realidade, sabe...
Os trejeitos dela percorriam o dia todo em sua memória, repetindo as cenas, mais uma vez e, outra e outra...
Foi então que entendeu:
A coisa era forte. E recíproca.
Os dias passaram a ser mais cheios de cor.
Eram tão diferentes e, em suas disparidades completavam-se. Eram puramente a doçura e a segurança em uníssono.
Tudo pareceu acontecer para servir de cenários para seus momentos... Se chovia, era para que pudessem dançar na rua, se fazia sol, era para que pudessem devorar um pote de sorvete em qualquer praça por aí...
Foi então que entendeu:
Engraçado como as coisas não precisam durar muito para serem as mais intensas da vida.
Não se conheciam desde a infância, foi assim: pá-pum.
E do jeito que veio, diluiu...
Talvez para que o tempo não estragasse as coisas e, para que as melhores memórias fossem conservadas para sempre. Mas uma coisa era certa: nada, nem ninguém, nem coisa alguma, podiam ser mais fortes e ocupar o maior espaço dentro do coração do que aquela relação, intensa e efêmera.
Algo de ruim aconteceu. Tudo acabou. De indispensáveis, passaram a ser nada.
Foi então que entendeu, sem nunca de fato entender.

"O que é que aconteceu? A gente se dava tão bem..."



 De vez em quando ainda lembra do sorriso sincero e difícil de conseguir. E das covas, e dos sorvetes e das chuvas.