26 de fevereiro de 2009
números



A menina levanta a mão:



"Professor, e como calcula...Felicidade Média?"



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22 de fevereiro de 2009
portas, janelas



Portas e janelas ficam sempre abertas pra sorte entrar. . .
Entram por vezes, fragilidades, gostos de lágrimas, medo, necessidade de esperança.
Portas e janelas deixam que entrem luz, carinho e sonhos bons.
O vento toca as portas e janelas, permitindo que se fechem. A pureza de criança, intrínseca e inerente, dá um jeitinho de levantar os pés (ficando de ponta de bailarina) para forçar a maçaneta.

"Nunca diga que não consegue, que as coisas são difíceis demais...Ser pequena é só um jeito de olhar..."

Aproveitando a ponta de pé, já dança e voa pela sala, porque as preocupações se fazem cessadas... E moram num reino longe, longe.
As mudanças (chuva ou Sol, dores e dissabores, êxtases e passos largos até o mais alto) geram, sim, crescimento.
Não importa quando venham, elas que corram para alcançar, pois estará sempre arraigada em si mesma. Amando.
Todo dia é dia de crescer. Todo dia é dia de olhar. Olhar coisas que ninguém vê.

"As pessoas já não páram. Não olham para si... Estão sempre correndo..."

Pare.
Sinta o cheiro de café fresco. Admire jasmins caídas ao chão. Olhe quem está ao teu redor. Diga as pessoas o quanto você quer que elas estejam bem.

Portas e janelas ficam sempre abertas pra vida entrar. . .


11 de fevereiro de 2009
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é como se as coisas que vivemos
tivessem nos trazido até aqui,
e nossa história tivesse regado pequenas semente-sensações,
que hoje brotam e hão de brotar. . .
Sim. . . não somos apresentados a cada momento,
mas os reconhecemos logo de cara
numa semelhança fina com os nossos íntimos sonhos.
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4 de fevereiro de 2009
penélope

Quando eu era pequena, amava ursos de pelúcia. E ainda hoje. (!)

Penélope, primeiro presente que lembro-me nitidamente de ter escolhido.
Lembro-me sim e, como se fosse hoje de manhã: Minha mãe me pegou no colo, deu uma bela olhada na loja inteira e soltou de surpresa: "Pode escolher o que quiser.".

E eu, no auge dos meus 5 bem aproveitados anos de idade, e no meio de uma loja cheia de pinduricalhos, ursos de pelúcia enormes, brinquedos sofisticados e objetos cheios de luzinhas piscantes, não quis nem saber: Só olhei para aquela ursinha branca e pequena, com um macacão rosa, que todos passavam e não a viam e, que se apertassem suas mãos, as bochechas ficavam cor-de-rosa.

"Ela. Ela que eu quero, mãe. A Penélope!"

A cara dela não foi de espanto, mas de aprovação, apesar de ter questionado: "De onde tirou esse nome, menina?". Hoje, imagino que ela deve ter achado um tanto estranho e que não compreende até hoje porque deposito carinho nessa ursa.

Eu entendo muito bem! Não que eu saiba explicar, ou reduzir isso em "ah, é que ela foi o primeiro presente que eu escolhi!"... Não.
Também não encerra um apego infantil que carrego até os dias mais recentes... Nãe e não! Até porque guardá-la numa caixa em cima do guarda-roupas (caso o retrato do apego fosse real) parece uma atitude um tanto cruel e maligna. Mas e é isso que acontece: ela fica lá, na caixa, sim.
Não carrego ela pra onde vou, não durmo abraçada com ela, mas, só eu e a Penélope sabemos o que fizemos dos nossos dias!

Foi ela que me mostrou, desde muito cedo, que o que valia na vida era a simplicidade... Que eu tinha mesmo essa tendência engraçada de atribuir às coisas significados especiais mesmo que elas sejam pequenas e que quase ninguém as olhe.
Foi com ela que comecei a criar diálogos malucos e historinhas de começo-meio-e-fim.


É Penélope. . . 5 anos de idade, um pouco de imaginação e você.