6 de setembro de 2009
FEITO EU


Para ler ouvindo:

Sou feita das risadas que já dei
dos choros que já silenciei
e de outros tantos que escorreram ácidos...
Sou feita das calçadas que já pisei
dos abraços que sem querer guardei
e daqueles que já dispensei, ora essa.
Sou feita das piadas que inventei
das coisas sérias que ignorei
e que de manhã corri atrás, pra alcançar.
[há sempre um momento bom, há de se acreditar...]
Sou feita das cartas que rasguei
das pétalas que enterrei
e de naturezas minhas, andantes, cansantes.
Sou feita dos acasos que, violenta, calei
de casos que transbordei
e inquietações várias, calmarias, meninices.
Sou feita dos clichês que aceitei
das evidências que suportei
e da intuição que quis sempre reinante.
[errante, flutuante até!...]
Sou feita da liberdade que busquei
da fé que lapidei
da transformação que acreditei
e de atmosferas tantas que me são caras.
Sou feita das lapidações que forjei
das vozes que amei
e da razão, que definitivamente não sou filha.
Sou feita das cócegas que aguentei
dos paladares que experimentei
e das praias que de tanto suspirar, viraram mar!
[quiçá oceanos a ganhar o mundo, quiçá...]
Sou feita das bobagens que imaginei
de conflitos que sonhei
e dos que quando acordei: ainda estavam lá.
Sou feita de pimenta que adocei
do amor que encontrei
das palavras que inventei, exagerando o que eu quiser
[só pra ver no que que dá...]
- e que depois rejeitei ou iluminei.

Mas eu acho mesmo é que de tudo o que sou feita,
se por acaso me torcerem, me partirem ao meio,
ou processarem até a última gota,
vai restar um tacho de paixão ou,
um pulso acelerado.
Porque de tudo o que sou feita,
só me importa que eu seja,
- até que a memória aguente
e o corpo suporte -
alguém que ama e que foi feita,
pra ser capaz,
de ser feliz.



Cena do filme "Frances Ha" 






31 de julho de 2009
lar

Eu que já não quero mais calar, grito suave pra fazer ouvir os corações.
O grito suave, que quero muito meu,
Aos poucos gera vida, cultiva e renasce quantas vezes for necessário,
Uma delicadeza alicerçada nas causas...
Um grito silencioso, passaroso e calmo.

Eu que já não quero mais só ver a banda passar,
Canto sem paredes que se façam de muralha.
O som expande... Ganha força e chega onde deve chegar. (!)
Canto baixinho, porque é assim que sou.
É assim que quero que seja.

Eu que já não sou capaz de ignorar quem sou,
Vou com coragem um tanto mais fundo, até onde der de mim mesma.
Os mais cuidadosos já avisam de antemão: "cuidado... Isso pode ser perigoso!"
E o que não o é?
Se feliz é quem desconhece,
Que me desculpem os adeptos,
Mas conhecer é maravilhoso...

Eu que já não quero mais ver a vida acontecer
Sem a chance impetuosa de criar, fazer, chorar, vencer,
Não quero mais a ansiedade do não-saber.
Entendo o quão "minhas" são as vivências que providencialmente,
Constróem o que há de singular em mim.
Quero confiar num futuro menino,
Maroto e sorridente...
Confiar numa força primeira,
Numa disposição latente

-de transformar.

Eu que já não quero mais complicar,
Torço pra caber em mim
A graça do simples, do pequeno,
Do amor não visto que se sabe.
Da fé invisível que se conhece.
Do sorriso contido que, se acredita.
De uma resposta desconhecida pra se lutar.

E devagar, não parando,

Construir o meu lar,

Mobiliar a casa com amor.




19 de julho de 2009
POR UM TRIZ

"Que a lente do amor aumente
Faça em presença o que é ausente
Porque só se vive por um triz

Só o amor pode juntar
O que o desejo separou
Não poderia o ontem se
Vestir de amanhã (?)

Porque só se vive por um triz . . . "


Se só se vive por um triz, que sem reservas, cuidemos de cada pedaço de amor que espalhamos por aí - de cada um que cativamos e daqueles que de propósito nos cativaram - para que quando o "triz" chegar, ainda haja um rastro de sorriso pra tudo o que há de bom viver intato.
Eu, confesso que, o riso pra mim é a medida.
Quando há qualquer jeito de sorrir, de brincar e brindar... Então as coisas permanecem do jeito que deviam ser - e que muito me agradam.
Ah, como os sorrisos me são caros e me apetecem!
O riso me escapa pelos cantos... E quando me cerram, tornando-o amarelo e ensaiado, então dá vontade de fugir.
Adoro a liberdade ingênua das brincadeiras e dos sorrisos... De um jeito ou de outro, sinto que as pessoas que me deixam sorrir e que sorriem comigo, serão aquelas que em outros dias menos azuis estarão chorando "junto", sabe como é?

Cuidem que a lente do amor aumente e que faça em presença o que é ausente...
PORQUE SÓ SE VIVE POR UM TRIZ...

4 de julho de 2009
pequena humana

Conheci uma menina pequena, que acostumada a viver de frente com contradições, posta numa felicidade insuportável, não conseguiu ir pra frente nem pra trás.
A felicidade pra ela pareceu algo a que realmente temer.
E ela se viu, pela primeira vez na vida, humanamente frágil e estranhamente feliz.
Por vezes, relutou... Por outras tantas achou tudo irreal.
"E quando tudo acabar?" - Ela repetia pra mim incansavelmente.
Então eu dizia: "Mas porquê, porquê tudo tem que acabar?"
Balbuciando, ela dizia: "É tudo muito inconstante..."

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"Pequena, quando tudo acabar... Vai restar você e, tudo o que quiser te acompanhar".



22 de junho de 2009
saga de uma flor urbana

Ele carregava a rosa cor-de-rosa, envolta por plástico e papel de seda com uma das mãos, enquanto a outra segurava o apoio do ônibus lotado.
Era uma rosa já aberta, com cara de que queria ser entregue logo ao seu destino.
O dono da rosa mais protegida da cidade, pois bem, tinha olhos de ansiedade, pouco piscava e nem parecia estar no centro da cidade de São Paulo.
Via-se que a mão da rosa já suava, mas não parecia incomodar. Dali a alguns minutos a própria rosa iria começar a murchar, murchar... Ou não, quem sabe.
Aposto que a outra mão -agora livre- após ele ter conseguido o almejado lugar para sentar-se, estava à espera de afagar os cabelos da moça, logo após a sutil encomenda.
Uma saga na cidade, num dia de semana, com tantos coadjuvantes a trabalhar...
Não sei por quais motivos, mas ele se dirigiu até uma floricultura sim, do outro lado da cidade, apenas para comprar uma rosa cor-de-rosa. Não existem floriculturas mais próximas ou havia um significado? Relevâncias à parte, a rosa era bonita.
Depois do ônibus, o metrô, e entre estações e portas que se abrem, apitam, fecham e servem de apoio pro cansaço de muita gente, estava lá o moço, com a mesma cara estática, imaginando o que dizer no momento que a visse.
Deve ser um amor daqueles puros e singelos. E nesse caso, de mochilas e Ipod's. Shopping e catracas diárias.
Descendo do metrô, seus passos eram tranquilos e ritmados. Não parecia ter pressa. Talvez estivesse até a adiar o tempo alguns minutos, porque saiu muito cedo de casa com medo de atrasar-se.
A rosa continuava intacta. Ele estava ouvindo a música do dia que se conheceram.
E lá foi ele, seguindo seu caminho por onde não pude mais acompanhar, nem com os olhos, nem com as divagações possíveis e um tanto, surreais. Desejei-lhe sorte, silenciosamente, e boas cócegas no coração. "Corre, vai dizer pro seu benzinho, que o amor é lindo..."
Talvez o presente fosse parar num vaso, morrer após uns dias, e possivelmente acabar no lixo, ou numa caixinha guarda-pétalas se a moça gostar de guardar detalhes pra lembrar depois.
Mas com certeza, a rosa tinha consigo tanto sentimento, que nem mesmo a própria natureza seria capaz de traduzir.
E há quem diga que a correria corrói as coisas. E as rosas cor-de-rosa? Onde ficam nessa história? Hein, hein?



Marina Cruz sempre repara em algumas coisas, mas as pessoas não percebem.
Marina Cruz acha lindas todas as surpresinhas nas quais ela é a moça da história.
2 de junho de 2009
Devagar, menina

Quanto me custa perceber
Que nem todos meus versos são expostos
Que nem todos meus afazeres saem do papel
Que nem todos os meus planos, acontecem.

As vezes o tempo escorre,
A fala encurta,
O gesto empobrece.

E minhas expectativas,
comigo,
por vezes, são meras.

Um movimento previsível,
mas mesmo assim estranho e,
exigente demais pra mim.

É bonito quando a vida me dá uns tapas,
E mostra o que é meu.
Essencial e induscutível.
Me dá saudade de mim.

Me fala: "Devagar, menina..."
Me alisa os cabelos e, revela
Que eu consigo assim.
Não de outro jeito, de outros e de outrem.
Do meu jeitinho,
de menina,
de mulher,
devagar.


"Quem tem por que viver pode suportar quase qualquer como." - N.--------





25 de maio de 2009
apelo de herói

Não acabem com os heróis.
Não deixem os heróis se revoltarem, odiarem.
Não criem heróis prepotentes, abusadores.
Os heróis devem voar.
Os heróis podem criar seus próprios pecados,
e suas virtudes para combater.
E que seja a luta com seus próprios "eus"-
a mais importante da guerra.
Mas os heróis não podem relutar diante da verdade.
Os heróis não devem ser injustos.
Devem se preocupar com o mundo,
E não somente, com seu super-umbigo.

Como é teu herói?
Tem capa e espada?
Flechas e armadura?
Tem amigos, amores...família?
E se angustiam por ter de escolher,
entre sua própria paz e da do mundo?
Os dilemas dos heróis são os mais deliciosos.
São altos, elevados.
Não terminam na primeira esquina.

Os heróis precisam existir.
Não podem ter jeito de gente, vida de gente.
Crise de, gente.
Até toda a fantasia acabar...
Sucumbir...
Fraquejar...
Suspirar diante da maldade,
Implorar por uma migalha de vida (!)
Não implorem por vida, heróis.

Deixem os heróis sobreviverem nos seus lugares,
Gostem dos heróis.
Que mal há neles?
Ah, menina pequena,
Continue sempre do lado dos bons heróis.
Não, você, menina pequena,
Não precisa se sentir desprotegida,
Em acreditar numa realidade utópica...
Você não é uma ingênua e boba,
Que precisa ver a vida "como ela é".
Menina pequena, tua força é infinita.
Você sabe o que certo,
O que é justo,
O que é bom.
Não se confunde com o primeiro protagonista,
que rouba a cena, anti-heroicamente.
Menina, pequena, menina-
Uma heroína de você.

A fantasia do homem...
Está escurecendo...
Esmoecendo...
Apelando nos graus mais cruéis.
Cuidem das crianças,
Esse é um apelo de herói.
Cuidem do imaginário dos pequenos.
De suas fantasias e lendas.
Das coisas boas que levarão da vida.
Cuidem, heróis.


Ah, os heróis...
Não deixem os heróis serem fracos.
Isso, é para as pessoas. (!)





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(aos heróis de capa e espada e, aos heróis da vida, de todo dia.
"cual caballero estare y morire sonriendo, querida MTA...")
13 de maio de 2009
adendo

Só um adendo:

Tem olhado pra lua esses dias?

Ela não estava amarela e grande como de outros dias de calçada, noites quentes, e corridas na rua "só pra falar a última coisa".

Mas estava linda!

Quis reparar bem de propósito, pra ver se enxergava algo diferente, sabe? Tinha que ter algo de diferente. E voir que la magie: haviam estrelas bem pequeninhas em torno, cuidando da lua clara. Essas estrelas viu, cuidando da lua! Veja só! Muito perspicazes...

É tão bom se sentir cuidado...

Cuidado das estrelas: que vêem as fases da lua, (mutáveis e lindas) e continuam sempre postas.

Essas estrelas... Muito perspicazes! (risos)

Aí eu entrei dentro de casa e a luz não tinha ido embora.

Não vou pedir pra apagar a luz dos teus olhos, mas preciso dormir!

Acordo cedo, sabe?

Luz perspicaz...


8 de abril de 2009
Monólogo

E por que não calar a pressa, estapear os moldes e golpear as amarras?
Por que insistir que não há tempo pra olhar o essencial, sendo que corremos tanto pra termos tempo suficiente pra sermos enfim, felizes? (Corrida desenfreada até o nada?)
Por que deixar de dançar os ritmos mais doces não importa onde estivermos, ou então deixar de olhar o céu laranja ser engolido pelo azul em noites claras?
É tudo esquecimento? É tudo falta de sensibilidade?
Sensibilidade faz falta.
Uma parada proposital no dia, pra aprender uma lição.
Uma flor arrancada do galho da calçada, murcha e sem perfume, mas recolhida com amor pra entregar ao bem-me-quer.
Uma observação sutil na rua, de uma criança a conhecer o mundo, com aqueles olhinhos pequenos e tão vivos.
Uma corrida até o amor pra dizer uma palavra de carinho, ofegante e suada.
Ou qualquer coisa que é olhada de dentro pra fora. Como as coisas devem ser. Sabe como é?

Talvez, se um dia, eu conseguir apontar o simples às pessoas... O quanto as coisas podem ser grandiosas, experimentadas, mastigadas e esmiuçadas até o fim...O quanto é preciso estar atento a nossos gostos e prazeres, para não fazermos deles lembrança quando estamos cansados: mas sim concentração para atingirmos nossos pontos mais altos. (!)
Ah, então aí sim, aí sim vou dizer: "missão cumprida!" e não, não é exaustivo querer essa missão pra mim. E eu nem sou "demais" por isso. (Ah, vejam só como ela é importante para a humanidade. hahaha, NÃO).

O certo é que todo mundo, e também eu, estamos equivocados com impressões superficiais.
Achamos centenas de coisas e construímos filosofias baratas, abraçamos coisas pra nós que não nos pertencem, e simplesmente dotamos de uma importância descomunal tudo o que aparentemente virá de retorno pra nós mesmos.
Isso parece estranho? E é. . .
É mesmo estranho imaginar que muitas vezes não fazemos questão de mostrar o quanto amamos. O quanto queremos bem nossos amigos. O quanto nossa família é chata e essencial, tudo pra economizar: como se demonstrar pagasse imposto. (isso porque brasileiro é de terceiro mundo, mas é um dos povos mais calorosos que tem).
As vezes, não fazemos questão nem de demonstrar o quanto somos importantes pra nós mesmos: a gente tem saudade até de quem a gente é... E esquecemos de nos dizer! Tolice.
As vezes e, quase frequentemente, cegamos a sensibilidade, pintando de colorido o ridículo. Ou, se for mais conveniente, iluminando o patético.
Há tanto no mundo pra descobrir! Pra ver! Pra conhecer! Pra abraçar! Pra investigar!
E por que, meu Deus, por que esquecemos disso?
Esquecemos de ficar sem fazer nada, falando besteira na calçada e rindo até doer as bochechas... (Como podemos esquecer isso?)
Esquecemos de fazer coisas que queremos, só porque elas parecem bobas, pequenas e adiáveis!
Esquecemos até mesmo de olhar pra quem estamos falando. (e não olhar só com os olhos, simplesmente, obviamente).
Esquecemos de surpreender, de refletir, de largar a fadiga de realizar o "simples-grandioso".
~
Esquecemos, porque somos falíveis.
Esquecemos de dar a vida e nos esforçar incessantemente pela boa obra de fazer a sensibilidade imperar onde ele bem merece: NO TOPO (!)

Cena do filme "Sense and Sensibility" (1996) 
7 de abril de 2009
certas palavras erradas

Certas palavras me inquietam. Certas, erradas, e não outras.
Elas parecem me servir, de um jeito enevoado e propositalmente censurado, para não vir à tona tão claramente.
As vezes, quase frequentemente, me suscitam a imagem ínfima de uma guerra literária. Das pacíficas e frias e quase incontidas. Não das guerras gramaticais e de soldados que lutam pra ganhar: a de guerra que luta só pra guerrear.
Como num jogo de inspirações e citações mal escondidas, ou de recados subentendidos, ou de qualquer coisa que signifique muito naquelas noites de solidão povoada, regadas a melodias agridoces.
Tudo isso pra chegar num consenso declarado, de páginas reviradas que tomam sentido, de versos mal escritos que cubram as tropas vitoriosas com a capa da identificação.
E de fato, não é e nem precisa ser a literatura o objeto primordial da direção dos ataques e recuos: são as idéias, os sentimentos, aquilo que de abstrato e tão intenso só a nossa linguagem consegue exprimir.

Sabe aquelas festas de pianos e palcos, de danças agitadas, vestidos coloridos e sapatos envernizados? Aquelas, regadas a sax, lembrando nitidamente Just in Time da Maysa, em que há paradinhas na música para as pessoas baterem palmas combinadas e completarem o último verso? Essa é a imagem que me vêm à cabeça, para guerras-frias intencionais. Olhares em meio à viradas repentinas, falas que acabam subitamente interrompendo o entendimento do assunto assim que acaba a música, beijos no rosto que querem dizer: "conversamos depois".

Quanta coisa sem sentido! Quando tudo poderia ser menos tenso, mais leve, menos sintomático à gastrite. . . E não? Sem contar a possibilidade em potencial de alegrias e conversas que dizem exatamente o que querem dizer.

Isso tudo, parece tão, tão, tão bobo diante da realidade.
Dessa realidade cortante que leva as palavras pra tão longe, exigindo-as silenciosas, pacatas e ruminantes. Soníferas, polidas e cheias de pontos finais.


26 de fevereiro de 2009
números



A menina levanta a mão:



"Professor, e como calcula...Felicidade Média?"



. . .
22 de fevereiro de 2009
portas, janelas



Portas e janelas ficam sempre abertas pra sorte entrar. . .
Entram por vezes, fragilidades, gostos de lágrimas, medo, necessidade de esperança.
Portas e janelas deixam que entrem luz, carinho e sonhos bons.
O vento toca as portas e janelas, permitindo que se fechem. A pureza de criança, intrínseca e inerente, dá um jeitinho de levantar os pés (ficando de ponta de bailarina) para forçar a maçaneta.

"Nunca diga que não consegue, que as coisas são difíceis demais...Ser pequena é só um jeito de olhar..."

Aproveitando a ponta de pé, já dança e voa pela sala, porque as preocupações se fazem cessadas... E moram num reino longe, longe.
As mudanças (chuva ou Sol, dores e dissabores, êxtases e passos largos até o mais alto) geram, sim, crescimento.
Não importa quando venham, elas que corram para alcançar, pois estará sempre arraigada em si mesma. Amando.
Todo dia é dia de crescer. Todo dia é dia de olhar. Olhar coisas que ninguém vê.

"As pessoas já não páram. Não olham para si... Estão sempre correndo..."

Pare.
Sinta o cheiro de café fresco. Admire jasmins caídas ao chão. Olhe quem está ao teu redor. Diga as pessoas o quanto você quer que elas estejam bem.

Portas e janelas ficam sempre abertas pra vida entrar. . .


11 de fevereiro de 2009
. . .
é como se as coisas que vivemos
tivessem nos trazido até aqui,
e nossa história tivesse regado pequenas semente-sensações,
que hoje brotam e hão de brotar. . .
Sim. . . não somos apresentados a cada momento,
mas os reconhecemos logo de cara
numa semelhança fina com os nossos íntimos sonhos.
.
. .
. . .
4 de fevereiro de 2009
penélope

Quando eu era pequena, amava ursos de pelúcia. E ainda hoje. (!)

Penélope, primeiro presente que lembro-me nitidamente de ter escolhido.
Lembro-me sim e, como se fosse hoje de manhã: Minha mãe me pegou no colo, deu uma bela olhada na loja inteira e soltou de surpresa: "Pode escolher o que quiser.".

E eu, no auge dos meus 5 bem aproveitados anos de idade, e no meio de uma loja cheia de pinduricalhos, ursos de pelúcia enormes, brinquedos sofisticados e objetos cheios de luzinhas piscantes, não quis nem saber: Só olhei para aquela ursinha branca e pequena, com um macacão rosa, que todos passavam e não a viam e, que se apertassem suas mãos, as bochechas ficavam cor-de-rosa.

"Ela. Ela que eu quero, mãe. A Penélope!"

A cara dela não foi de espanto, mas de aprovação, apesar de ter questionado: "De onde tirou esse nome, menina?". Hoje, imagino que ela deve ter achado um tanto estranho e que não compreende até hoje porque deposito carinho nessa ursa.

Eu entendo muito bem! Não que eu saiba explicar, ou reduzir isso em "ah, é que ela foi o primeiro presente que eu escolhi!"... Não.
Também não encerra um apego infantil que carrego até os dias mais recentes... Nãe e não! Até porque guardá-la numa caixa em cima do guarda-roupas (caso o retrato do apego fosse real) parece uma atitude um tanto cruel e maligna. Mas e é isso que acontece: ela fica lá, na caixa, sim.
Não carrego ela pra onde vou, não durmo abraçada com ela, mas, só eu e a Penélope sabemos o que fizemos dos nossos dias!

Foi ela que me mostrou, desde muito cedo, que o que valia na vida era a simplicidade... Que eu tinha mesmo essa tendência engraçada de atribuir às coisas significados especiais mesmo que elas sejam pequenas e que quase ninguém as olhe.
Foi com ela que comecei a criar diálogos malucos e historinhas de começo-meio-e-fim.


É Penélope. . . 5 anos de idade, um pouco de imaginação e você.



29 de janeiro de 2009
Luísa dança


Do que há em Luísa,
o querer é dança,
palco de ensaio, 
ação e desmaio,
improviso.

O querer sapateia.

Luísa muito fala, 
muito cala, 
muita alma.
Dá seus pulos
(ritmo desenfreado)
do balanço ao descanso.

O desejo samba.

Não pretende ter razão.
Nas mãos do mundo em suas mãos,
gira compasso imprevisível 
no exercício da intuição. 
Passos largos ao infinito.
voa livre em amplidão.

Luísa dança.

Da sua história, a margem.
Do seu sangue, a coragem.
Imperativo pessoal.
O que é aparente, 
só no de repente, 
não é de compreender.
É preciso mais olhares insuspeitos,
Pra arte acontecer.

Luísa dança e nos seus passos,
faz música também.