30 de novembro de 2008
chão nos pés

Há que colocar o chão nos pés . . .
(O lugar na cabeça e os is nos pingos)
Com a mesma vontade de descalçar os chinelos
(Descalçar a cabeça e, os is por consequência).

Já que se é claro,
Que o escuro das lógicas,
Sentido não faz . . .
E falar assim, de um jeito ao contrário,
É só mesmo pra quem não entende.
(Entendendo o que realmente importa)

Porque se lógica fizesse sentido,
Era só anotar num rodapé qualquer
O que se quer.
E se esforçar, até acontecer, né.
(Dizer: "ok, the end, happy ending . . .")
Quando o que movimenta mesmo,
Não tem nome,
(Tem sentido!) - com exclamação.

Não dá pra sair correndo,
Nem fingir um 'conseguir explicar' . . .
Reflexões baratas não, não alcançam os anseios
(De qualquer pessoa)

Não é querer mostrar o mundo,
Pegar pelas mãos e atravessar.
Cada um supõe o seu agora.
É acender do escuro da lógica
(Com setas claras de sincericídios)

Minha métrica é nula,
Corrosiva e aleatória.
Desde que seja verdade, existe.
Sobrevive das verdades
(E não só de uma)
Mata-se aos poucos pelos olhos,
Já que são os olhos que guardam,
Os esforços desnecessários
(do tempo, da vida).

Se tudo é tão real e bom,
Em cada pedaço e acorde,
Sem mais delongas,
É só viver desse jeito doce.
Agora e, sem o escuro da lógica
(Sem desespero de) . . .
Entender cada verso.


17 de novembro de 2008
flor efêmera

Mal sabem as graças que perderam os meus olhos por não vê-la com cuidado: flor pequena, flor efêmera e tão linda.

Das flores que se escondem e não fazem questão de antecipar, de esperar. Simplesmente o são, conjugando de propósito o presente do presente do presente.

Tolo eu, que achava que ela estava ali o tempo todo, sempre pronta a esperar meus olhares. . . Ah, meus olhares, o que tem de mais os meus olhares? Olhares que hoje - eu sei - dedicaria somente a ela, flor efêmera.
Se paro e penso, vasculhando na memória, cada pedaço de segundo de instante com a flor, não posso. Me rendo. Ela queria se fazer desconhecida a tudo, para que somente eu a notasse. E eu? Não prolonguei-me em conhecê-la. Ela tinha tanta vida . . .
Ela me mostrou que não estava à espera, me ensinando de um jeito sutil (e com perfume) que a minha dedicação é que faria a diferença . . . O tempo das flores não é o mesmo do mundo. Os problemas das flores, não são problemas do mundo. Hoje eu sei, que meu mundo quer ser do mundo dela. Quer saber ter olhos.

Mal sabem as graças
que perderam
os meus olhos
por não vê-la
com cuidado:
flor pequena,
efêmera
{e de carne e osso}
.