27 de agosto de 2008
Matizes


Eu acho que a gente tem alma violeta. Já tive vontade antes de ver a cor das coisas que não se vê, ver a cor do que paira em cima dos que estão se casando, ver a cor da alma de uma criança abraçadinha na mãe, ou então a cor do que fica em volta das famílias numerosas, comendo lasanha no domingo.
Eu acho que nossa alma é violeta.
Quando a gente acorda de manhã bem cedo, estica as pernas e faz careta, aí é colorida, só pode ser. E quando a gente segue de mãos dadas por ladeiras, ou durante carinho nos meus cabelos e susto da surpresa boa, deve ser meio vermelha.
Nossa alma deve ter gradações das matizes mais bonitas, posso apostar.
E há quem ache idéia de maluco, mas vai chegar um dia, em algum momento dos surreais que a vida dá de presente, que vai se perguntar carinhosamente, qual devia ser a cor daquele momento. E eu queria estar perto só pra dizer:
"Maluquice te fez bem hein..." e sorrir como pra quem tem um segredo bem guardado.
Não é tudo que merece uma cor própria. Apenas os momentos inquestionavelmente especiais, que param o relógio e te fazem esquecer o resto do mundo lá fora e todos os cinzas e pastéis que possam existir.
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A cor da minha alma ainda não posso ver, e não há nada de obscuro nisso. Talvez outras pessoas consigam dizer, olhar e até pintar de cores diferentes. Minha cor me engana, vai se transformando, se misturando, ficando ofuscante, cremosa, pálida, vívida (...) Aí eu me confundo e desisto.Mas sei que quando danço ela é azul... Azul claro.



16 de agosto de 2008
mantra do vôo sublime

Nada mais que faça relutar.
~
Voar por aí afora,
descobrir aurora,
fantasiar asas minguantes.
(Asa cadente, voar na asa macia!)
V o a r
a í
a f o r a -
Calar escuro,
mastigar manhã,
morrer no colo e sobreviver.
Voar por aí, afora,
numa aura hora,
pintar esquadros,
de tinta e olhar
pro meu lar, sabiá.
Voar por aí afora,
sim afora,
e a qualquer hora
deitar na grama,
respirar fubá,
tocar madeira molhada
de orvalho e de luz.
Depois da aurora,
e do vôo afora,
deixar os raios entrarem
pela nossa janela,
tocando o café e os pés
(quentinhos da noite de inverno)
E voar por aí (afora!).
E se nada fizer sentido,
só, ser um, só,
na mesma direção
basta.
Voar por aí, afora.
Na nossa aurora,
a qualquer hora . . .
{ oras. }
Voar.


1 de agosto de 2008
{Nota minha nota que é pra te notar,
Canta teu encanto que é pra me encantar}
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