6 de abril de 2008


Ela desejava {ao menos por um dia} ser cinzenta, ser outono, ser o 'basicamente'. Que conseguisse sublimar seus sentimentos, amassá-los até a cura, sem que as pessoas sequer notassem [...] Andar numa bolha {rígida e maçiçamente preenchida de cor} para que suas expressões ficassem engavetadas a sete, oito, nove chaves.


Mas no mais íntimo e natural do ser, ela sabia que "destransparecer" sua transparência tão evidente, era o mesmo que enganar a si e fingir ser alguém que não era. Sim, ela não tinha o filtro que separava o que ficaria guardado para ela e o que todos podiam ver. E a necessidade de esconderijo então passava rapidamente, quase como um lapso.

{ Só não sabia quão saudável/ destrutivo isso podia ser}

Marina Cruz

É Psicóloga por formação, Educadora por vocação e Falartista por opção.

1 comentários

  1. Clarice Linspector, espero que gostes, pq seu texto agora se assemelha ao consciente incosciente dos dela, porém com um toque mais especial.


    grato pela sorte de ter achado seus escritos.