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b a t a l h a






É difícil admitir, mas a maior e mais difícil batalha é contra si próprio.
Ela descobriu isso enquanto caminhava pelo jardim na noite de um verão bem definido. As flores pareciam sombrias, mas não eram; a lua parecia não existir, mas existia.
E dentro de si acontecia uma guerra de espada e escudo.
A ânsia de ser mais se misturava com o medo de se desprender do seguro... Ali, naquele momento ela só queria um cantinho pra poder chorar em paz.
- Não fuja - ela sussurava baixinho pra seu lado mais medroso.
Ela era bem resolvida, sabia bem onde estavam suas feridas abertas e não podia reclamar que "não conhecia seus sentimentos e por isso não sabia o que fazer com eles." Ela podia descrever exatamente, quase como um relatório clínico: insegurança, luta interna, sonhos que eram afogados por abruptos lances de dúvida, pensamentos coloridos e lindos que criaram um receio de estar vivendo uma vida estagnada pelo comodismo tão indesejável que cerca a vida de tantas e tantas pessoas... Ela só queria a felicidade plena, acreditava que existia.
Não queria um manual, nem uma poção-mágica-sobrenatural-super-eficiente. Talvez ela gostasse mesmo dos extremos, sentir cada coisinha, com sua especialidade, no seu momento certo... Sem viver do "morno", do "metade", do "talvez". Quem é meio feliz, é meio triste também...
Sabia que aquilo podia ser normal e que talvez algo dentro dela estivesse exagerando, aumentando as formas das situações, das palavras, dos gestos... Para que ela pense que tu-do é ab-sur-do. Ela só queria repousar seu coração num cantinho que ele batesse sossegado, livre, passaroso {...}
Lutar contra pessoas traz fatos. Um ganha: parabéns; outro perde: querido, se conforme.
Lutar contra si traz o que? Você vai perder e vai ganhar. Teu lado vencedor consola teu lado perdedor? Isso soa um tanto irreal...
Cada passo silencioso trazia consigo um entendimento: "Preciso achar qual preço pagaria pelo risco de me sentir totalmente completa" . Cada suspiro ofegante trazia uma esperança de que por mais que o tempo passe e as coisas pareçam escuras, ela estava bem próxima de entender o porquê das inquietações...
Qual parte {das partes} das pessoas as faz desistir, ceder, cair?
E qual parte {das partes} das pessoas as faz seguir em frente, buscando seu mais íntimo sonho?

Talvez a parte inteira, não sei.

Comentários

Fellipe Bozzi disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
Magda Nagasawa disse…
' Ela só queria repousar seu coração num cantinho que ele batesse sossegado, livre, passaroso {...} '

Por algum motivo especifico, esse texto fez meu coração palpitar um tiquinho mais forte!

Te amo!
Pandora C. disse…
...

Por isso amo tanto as reticências, ela dizem tanto mais que milhares de palavras, nossa, numa imagina como tava precisando escutar seu conto hoje amore...
meio feliz é meio trsite também..¬¬

A mais esquecemos disso e te elogiemos *essa palavra existe?*

Bom parabéns e espero ansciosa pelo proximo texto, Beijos e se cuida pequena.

Beijos
Fabricio Fortes disse…
gostei muito disso.. tua prosa é viva e realista.. e nesse momento me soou muito comovente
Henry Zephyrus disse…
"Lutar contra si traz o que? Você vai perder e vai ganhar. Teu lado vencedor consola teu lado perdedor? Isso soa um tanto irreal..."

o surrealismo do cotidiano fatidico humano. Isso realmente me encanta, cada vez mais leio seus textos nobre mari, e vejo uma criança com uma pomba na mão, sem saber ao bem se solta essa pojmba e deixa-a livre para voar, ou se afaga essa pomba ao peito e acaricia ela solitariamente.


SOLTE ESSA POMBA.

seus textos são incriveis.
parabens e seja sempre bem vinda ao meu blog, não imaginas a alegria de ter visto seu recadinho lá.
obrigado.